Artigos

Como o Brasil pode fomentar a fabricação de chips de HPC baseados em RISC-V

Um caminho realista para a soberania tecnológica em hardware aberto

A busca por soberania tecnológica no Brasil passa necessariamente pelo domínio do hardware — especialmente em áreas críticas como HPC (High Performance Computing) e Inteligência Artificial. Nesse contexto, a arquitetura aberta RISC-V surge como uma oportunidade estratégica: livre de royalties, adaptável e apoiada por uma comunidade global em rápida expansão.

Enquanto gigantes como EUA, China e União Europeia investem em seus próprios ecossistemas RISC-V, o Brasil tem a chance de construir uma trilha própria — integrando universidades, empresas e centros de pesquisa em torno de uma Pilha Nacional de Hardware Aberto.

Por que apostar em RISC-V

A arquitetura RISC-V oferece três vantagens centrais que a tornam especialmente atraente para países emergentes:

a) Ausência de royalties: o acesso livre elimina barreiras econômicas e jurídicas impostas por licenças proprietárias (x86, ARM). b) Flexibilidade para customização: permite criar chips sob medida para aplicações específicas — como agro, saúde e defesa. c) Soberania e independência: reduz a dependência de tecnologias controladas por poucas empresas estrangeiras.

China, Índia e União Europeia já estruturam programas públicos voltados à criação de chips RISC-V para HPC e IA. O Brasil pode seguir caminho similar, adaptando-o à sua realidade científica e produtiva.

Caminhos para o Brasil

1. Desenvolvimento de design (modelo fabless) O primeiro passo é criar centros de excelência em design de chips RISC-V, abrigados em universidades e ICTs, com apoio de empresas nacionais. Esses centros deveriam: a) formar equipes especializadas em compiladores, toolchains e otimizações para workloads de IA; b) apoiar startups fabless com incentivos fiscais e linhas de crédito para prototipagem; c) priorizar o design de ASICs dedicados a aplicações estratégicas (edge AI, visão agro, IoT médico).

2. Cooperação internacional estruturada A soberania tecnológica não se conquista isoladamente. O Brasil deve firmar parcerias com foundries estrangeiras — como TSMC, GlobalFoundries e Samsung — para fabricação em nós maduros (14–28 nm). Além disso, é fundamental: a) participar de alianças globais RISC-V, como a RISC-V International; b) firmar cooperação tecnológica com Índia e União Europeia, que já financiam programas abertos em HPC/IA; c) adotar políticas de transferência gradual de conhecimento, garantindo que o domínio do design permaneça no país.

3. Produção local em médio prazo Em paralelo, o Brasil pode revitalizar ou substituir a CEITEC como núcleo de semicondutores, focado em RISC-V e ASICs para defesa, saúde e cidades inteligentes. Mesmo com litografia mais simples, é possível: a) produzir chips funcionais em nós de 28 nm; b) consolidar um polo nacional de prototipagem e encapsulamento; c) estimular empresas de base tecnológica a adotar soluções nacionais.

Metas realistas para o ecossistema brasileiro

Curto prazo (0–3 anos):

  1. Criar um Programa Nacional de RISC-V, unindo universidades, ICTs e empresas.
  2. Formar 200 a 300 engenheiros especializados em design de chips e ferramentas EDA.
  3. Lançar protótipos de aceleradores RISC-V para IA embarcada e edge computing.

Médio prazo (3–7 anos):

  1. Desenvolver SoCs nacionais baseados em RISC-V voltados para HPC e IA em nós intermediários (14–12 nm).
  2. Publicar benchmarks e bibliotecas otimizadas para workloads científicos e industriais.
  3. Estabelecer parcerias com foundries para produção em escala.

Longo prazo (7–15 anos):

  1. Consolidar um ecossistema brasileiro de hardware aberto, com centros de design e empresas fabless.
  2. Criar pelo menos um polo industrial capaz de produzir ASICs customizados em escala.
  3. Exportar soluções regionais para América Latina e países em desenvolvimento, consolidando o Brasil como fornecedor relevante.

Síntese: autonomia possível, mesmo sem fábricas de ponta

O Brasil dificilmente competirá, no curto prazo, com a fabricação de GPUs e TPUs em nós sub-7 nm. Mas pode alcançar autonomia seletiva — dominando o design, o conhecimento técnico e a aplicação de hardware aberto em setores estratégicos.

Ao investir em RISC-V, o país pode: a) desenvolver chips nacionais sob medida; b) fortalecer a indústria de software e semicondutores; c) reduzir dependências externas e fomentar inovação local.

Com metas claras e cooperação internacional, o Brasil pode tornar-se referência latino-americana em hardware aberto aplicado a HPC e IA.

A Evolua.ai acredita em uma soberania digital que nasce da colaboração entre ciência, indústria e propósito. Construir chips abertos é construir autonomia — e esse é o futuro que o Brasil merece.

🔹 Sobre a Evolua.ai
Na Evolua.ai acreditamos que a Inteligência Artificial é o motor da transformação digital nos negócios. Nossa missão é oferecer soluções inovadoras, acessíveis e de impacto real para empresas de todos os portes, ajudando a reduzir custos, aumentar a produtividade e gerar novas oportunidades.

🔹 Compromisso
Trabalhamos com ética, responsabilidade e tecnologia de ponta para que sua empresa não apenas acompanhe o futuro, mas lidere a mudança.

🔹 Conecte-se conosco
A revolução da IA já começou — e você pode fazer parte dela.
👉 Siga a Evolua.ai nas redes sociais e acompanhe novidades, insights e oportunidades exclusivas.

Evolua.ai. Inteligência Artificial para Evolução Real.

© 2025 Todos os direitos reservados – evolua.ai